Um estudo acadêmico recente revelou que deteriorações nas relações geopolíticas reduziram o comércio global em 7% entre 1995 e 2020, conforme publicado no arXiv. A pesquisa, que utiliza modelos de linguagem avançados para analisar eventos políticos em 196 países, destaca como alinhamento geopolítico influencia comércio bilateral e oferece insights sobre os custos econômicos da fragmentação geopolítica contemporânea.
Em um mundo cada vez mais fragmentado geopoliticamente, entender como tensões políticas afetam comércio é crucial para investidores, empresas e governos. O estudo sugere que melhorias no alinhamento geopolítico podem aumentar o comércio bilateral em até 20% ao longo de dez anos, oferecendo uma métrica quantitativa para avaliar custos de conflitos e benefícios de cooperação, segundo análise do Financial Times.
Metodologia do Estudo
Os pesquisadores utilizaram modelos de linguagem (LLMs) para analisar eventos políticos de 1950 a 2024, criando um índice de alinhamento geopolítico entre países. O estudo examina como mudanças nesse alinhamento afetam fluxos comerciais bilaterais, controlando por fatores econômicos tradicionais como distância, tamanho de mercado e acordos comerciais.
Principais Descobertas
O estudo revela que deteriorações nas relações geopolíticas reduziram o comércio global em 7% entre 1995 e 2020, melhorias no alinhamento geopolítico podem aumentar o comércio bilateral em 20% ao longo de dez anos, efeitos são mais pronunciados em setores estratégicos e produtos de alta tecnologia, e sanções econômicas têm impacto desproporcional, reduzindo comércio em até 50% entre países afetados, conforme reportado pelo Bloomberg.
Implicações para a Fragmentação Contemporânea
O estudo oferece uma lente quantitativa para entender os custos da fragmentação geopolítica atual, incluindo tensões entre EUA e China, sanções contra a Rússia, e realinhamento de cadeias de suprimentos. Os pesquisadores estimam que a fragmentação atual pode reduzir o comércio global em até 10-15% nos próximos anos se tendências continuarem, segundo análise do Reuters.
Diferenças Regionais
O impacto varia significativamente por região: países em desenvolvimento são mais vulneráveis a choques geopolíticos, enquanto economias desenvolvidas têm maior capacidade de diversificar parceiros comerciais. Países com relações históricas complexas (como China-Japão ou Rússia-Ucrânia) mostram efeitos mais pronunciados, conforme dados do Valor Econômico.
O que isso significa
Para países lusófonos: A fragmentação geopolítica tem custos econômicos mensuráveis. Em um mundo cada vez mais dividido entre blocos geopolíticos (Ocidente vs. Rússia/China), países lusófonos precisam navegar cuidadosamente, diversificando parceiros comerciais e reduzindo dependência de mercados únicos.
Para o Brasil: O país depende de exportações de commodities para China e outros mercados. Fragmentação geopolítica pode reduzir acesso a mercados e pressionar preços. Tensões geopolíticas podem afetar investimentos estrangeiros diretos, especialmente de países em conflito.
Para investidores e empresas: Prepare-se para redução de comércio global e necessidade de adaptação a um mundo mais fragmentado. A cooperação geopolítica continua sendo um motor importante de crescimento econômico, mas está cada vez mais escassa. Empresas devem revisar dependência de cadeias de suprimentos e considerar diversificação de fornecedores e mercados.
Bottom line: O estudo oferece evidência quantitativa de que tensões políticas reduzem comércio significativamente. Governos lusófonos devem fortalecer relações comerciais com múltiplos parceiros e reduzir dependência de mercados únicos. Investidores devem diversificar exposição geográfica e considerar impacto de fragmentação geopolítica em portfólios.